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Segurança

Como saber se uma imagem foi criada por IA: 8 sinais

Lupa a inspecionar uma fotografia digital com falhas reveladas por IA — como saber se uma imagem foi criada por IA

Vês uma foto incrível no telemóvel, partilhas, e só depois alguém comenta que é falsa. Acontece a toda a gente. As imagens geradas por IA já enchem as redes sociais, os grupos de família e até as notícias, e distinguir o real do gerado ficou mais difícil do que era há um ano.

Não te vou prometer um truque infalível, porque não existe. Mas há sinais que ainda denunciam muita imagem de IA, ferramentas que ajudam (com cuidado), e uma forma de pensar que vale mais do que olhar para os pixels. Vou mostrar-te os três.

Para saber se uma imagem foi criada por IA, procura sinais como mãos com dedos a mais, texto com letras sem sentido, pele demasiado lisa, sombras incoerentes e fundos que se desfazem. Nenhum sinal é prova por si só, mas vários ao mesmo tempo denunciam quase sempre uma imagem gerada.

Porque está cada vez mais difícil

Vale a pena começar por aqui, com honestidade. Há dois anos, qualquer pessoa apanhava uma imagem de IA pelas mãos deformadas. Hoje os modelos já corrigiram grande parte desses erros, e algumas imagens passam mesmo a olho desatento. Por isso, os sinais abaixo continuam úteis, mas pensa neles como pistas que se somam, não como um teste que dá certo ou errado.

Os 8 sinais que ainda denunciam uma imagem de IA

Olha para a imagem com calma e amplia-a. É nos detalhes pequenos que a IA ainda se trai.

  • Mãos e dedos. Continuam a ser o ponto fraco. Conta os dedos, repara em dedos colados, tortos ou com tamanhos estranhos.
  • Texto e letras. Placas, rótulos, livros ou roupa com escrita. A IA quase sempre inventa letras que não formam palavras reais.
  • Pele demasiado perfeita. Um aspeto liso, de cera ou plástico, sem poros nem imperfeições, sobretudo em retratos.
  • Olhos, dentes e reflexos. Pupilas com formas diferentes, dentes a mais, ou reflexos nos óculos e nos olhos que não combinam com a cena.
  • Acessórios a derreter. Óculos, brincos, fechos e correntes que se fundem na pele ou desaparecem a meio.
  • Fundos repetidos ou tortos. Padrões que se repetem, linhas que entortam, pessoas ao fundo com caras borradas ou corpos incompletos.
  • Luz e sombras incoerentes. Sombras que apontam para lados diferentes, ou uma cara iluminada de uma forma que o resto da cena não justifica.
  • Detalhes que não batem certo. Orelhas assimétricas, joias diferentes em cada lado, mãos com mais força do que faz sentido. O cérebro estranha antes de perceber porquê.
"Um sinal sozinho não prova nada. Três ao mesmo tempo já são uma conversa séria."

As ferramentas que dizem detetar IA (e porque não chegam)

Existem detetores que carregas a imagem e te dão uma percentagem de probabilidade de ser gerada por IA, como o Hive, o Sightengine ou o AI or Not. Podem dar jeito para uma primeira opinião, mas têm o mesmo problema dos detetores de texto: erram nos dois sentidos. Marcam fotos reais como falsas e deixam passar imagens geradas. É exatamente o que já tínhamos visto no guia de detetar texto escrito por IA.

Há também o caminho mais promissor, que são os rótulos de origem. O C2PA (também chamado Content Credentials) guarda na própria imagem a informação de com que ferramenta foi criada ou editada, e a Google tem uma marca de água invisível para as imagens geradas pelos seus modelos. O problema é que ainda não estão em todo o lado, e uma captura de ecrã ou um reenvio costuma apagar essa informação. Se um rótulo desses existir, ajuda. A falta dele não prova nada.

Verifica o contexto, não só os pixels

Este é o conselho mais importante de todo o artigo, e o que continua a funcionar mesmo quando a imagem é perfeita. Em vez de olhar só para a foto, pergunta de onde ela vem.

  • Faz pesquisa inversa. Carrega a imagem no Google Imagens, no Google Lens ou no TinEye e vê onde mais aparece. Se uma foto dramática só existe num sítio e em mais lado nenhum, desconfia.
  • Vê quem publicou. Uma conta nova, sem histórico, a partilhar uma imagem que confirma exatamente o que queres acreditar, é um aviso.
  • Procura a fonte original. Se for notícia, confirma se um meio de confiança a mostra. Acontecimentos reais aparecem em vários sítios, de vários ângulos.
  • Desconfia do que mexe com emoções. Muita imagem falsa é feita para te indignar ou enternecer depressa, antes de pensares.

A mesma lógica vale para vídeo, agora que qualquer pessoa pode gerar clips falsos. Se quiseres perceber como esses vídeos são feitos (e porque é que muitos ainda saem estranhos), tens o guia de criar vídeos com IA. Conhecer como a coisa é feita ajuda-te a apanhá-la.

O que fazer quando tens dúvidas

Junta tudo num gesto simples. Amplia a imagem e procura os sinais. Faz uma pesquisa inversa para ver a origem. Confirma quem publicou e se aparece noutros sítios. Se ainda assim ficares na dúvida, a regra de ouro é não partilhar. Uma imagem que não consegues confirmar não merece o teu reenvio, e a maior parte da desinformação espalha-se exatamente por gente bem-intencionada a partilhar sem confirmar.

Em resumo

Saber se uma imagem foi criada por IA já não se resolve só a olhar para os dedos. Procura os sinais nos detalhes, usa os detetores como pista e não como veredicto, e verifica sempre a origem com uma pesquisa inversa. Na dúvida, não partilhas. É menos espetacular do que um truque mágico, mas é o que funciona de verdade.

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T. Sampas

Escreve sobre Inteligência Artificial no Futuro Digital, de forma clara e prática.